sexta-feira, 5 de junho de 2015

Mensagem - O Espírito Santo dá um coração novo

Pela queda de Adão e Eva em pecado, toda a descendência humana nasce com o pecado original. "O pecado original é o pecado que herdamos de Adão, isto é, a completa corrupção de toda a natureza humana, agora privada da justiça original, inclinada para todo o mal e sujeita à condenação". 

A Escritura afirma: "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu a minha mãe" (Salmo 51.5). "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1 Co 2.14). "Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos" (Ef 2.5). "Por isso, o pendor (ou seja, inclinação) da carne é inimizade contra Deus" (Rm 8.7; 1 Co 12.3). 

Essas palavras mostram que, já por nascimento, somos espiritualmente cegos, mortos e inimigos de Deus. Estas afirmações da Escritura nos colocam diante de uma realidade muito cruel. Somos escravos do pecado e de Satanás, réus da eterna condenação. Em relação à nossa reconciliação com Deus e a nossa salvação, nada podemos fazer. Perdemos, em coisas espirituais, o "livre arbítrio", a liberdade de escolha. Isto é difícil de compreender, visto que, em coisas materiais, o ser humano tem sua inteligência e a liberdade de tomar decisões. Eu posso escolher ir ou não ao cinema, fazer ou não compras, escolher esta ou aquela profissão e outras coisas mais. Em relação a Deus, por mais inteligente e virtuoso que eu seja, nada posso fazer. 

Expressamos isso na explicação do terceiro Artigo do Credo Apostólico, ao dizer: Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Deus diz: Vós tendes um "coração de pedra" (Ez 36.26), e "se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (Jo 3.3).

Dessa situação Jesus salvou a humanidade. O Espírito Santo está encarregado de aplicar essa salvação às pessoas, dar-lhes um coração novo, vida espiritual e conservar essa vida. (Jo 16.8-11; Ez 11.19; 36.36). Confessamos na explicação do terceiro Artigo do Credo Apostólico: "Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. Assim, também, chama, congrega, ilumina e santifica toda a cristandade na terra, e em Jesus Cristo a conserva na verdadeira e única fé". Esse trabalho, o Espírito Santo realiza por meio da Palavra de Deus e dos sacramentos, Batismo e Santa Ceia, o que chamamos de Meios da Graça.

Horst R. Kuchenbecker, trecho de O Espírito Santo chama, congrega, consola, ensina e ilumina a Igreja entitulado A queda em pecado e o pecado original in Mensageiro Luterano, Maio 2015, Ano 98, Nº 1202 (Editora Concórdia, Porto Alegre: 2015. p.12)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Mensagem - O Espírito Santo chama

Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor", a não ser que seja guiado pelo Espírito Santo. (1 Co 12.3)



As pessoas perderam o chamado livre arbítrio, lá no jardim do Éden. O homem perdeu a capacidade de escolher entre o bem e o mal, entre o Céu e a condenação, entre aceitar ou rejeitar a salvação. A sentença de Deus, "no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2.17), ainda pesa sobre todas as gerações humanas.

Embora negada pela sociedade deste mundo modernizado, a verdade é esta: o homem natural nasce espiritualmente cego, morto e inimigo de Deus. O homem, estando morto em ofensas e pecados, não quer e não pode aceitar as coisas de Deus, porque lhe são loucura (1 Co 2.14). As pessoas trazem dentro de si a inclinação para o mal, caminham o caminho da condenação e não podem, por si mesmas, tomar a resolução: "a partir de hoje mudarei a minha vida e caminharei o caminho do Céu, crendo em Jesus Cristo como meu Salvador". Impossível! Por que não? Porque ninguém pode dizer "Senhor Jesus", senão pelo Espírito Santo. É esta a verdade que Lutero assim confessa: Creio que, por minha própria razão ou força, não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a Ele (explicação do Terceiro Artigo do Credo Apostólico no Catecismo Menor). É o que Paulo ensina, guiado pelo Espírito Santo: Ninguém pode dizer "Jesus é Senhor", a não ser que seja guiado pelo Espírito Santo (1 Co 12.3).

Para abrir os olhos, trazer vida, mudar o coração daquele que se encontra espiritualmente cego, morto, inimigo e desgarrado de Deus, é necessário uma força que vem de fora do homem. E essa força é o Espírito Santo, como ainda o confessamos com Lutero: O Espírito Santo me chamou pelo Evangelho, me iluminou com os seus dons, me santificou e me conserva na fé verdadeira (explicação do Terceiro Artigo do Credo Apostólico no Catecismo Menor).

Se hoje somos cristãos, não o somos por nós mesmos. Nós o somos pela graça de nosso Deus, pela operação do Espírito Santo. O Espírito Santo nos chamou através do Evangelho, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Onde quer que o Evangelho seja anunciado, lá estará o Espírito Santo para nos chamar, nos ensinar a dizer: Creio no Espírito Santo, que colocou no meu coração a fé em Jesus Cristo, meu Salvador.


Senhor, conserva-me na confissão do teu santo nome. Amém.

Leopoldo Heimann in Segue-me (5ª edição, Editora Concórdia, Porto Alegre, 2013. Pag. 197)

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Vem aí: 1º Festival Missionário e V Domingo da JELB

Prezados Jovens!

Os Distritos LOURENPEL e DICANPI tem o prazer de convidá-los para o...



Local: Comunidade Evangélica Luterana “São João” de Canguçu, RS.
Data: (07 de junho de 2015)
Lema: Não morrerei; antes, viverei e contarei as obras do Senhor.” (Salmos 118.17)
Tema: “Cristo para Todos”.
Programação da Manhã:
8:30h – Início com inscrições
9:00h – Culto com Santa Ceia
10:30h – Palestra (palestrante a ser definido)
12:00h – Almoço
Programação da Tarde:
15:00h – A partir deste horário será dado início o Festival Missionário, em frente à Igreja São João, no qual levaremos Cristo para Todos! O evento será aberto ao público, onde desde já queremos estender o convite a todas as pessoas de nossas congregações. A atração (do Festival está a cargo de “Carlos Magrão e banda”) será divulgada através dos meios de comunicação.
# A inscrição será no valor de R$ 15,00.
Caros jovens, suas presenças neste evento são muito importantes, pois ouviremos a palavra de Cristo e também teremos oportunidade de levá-la a outras pessoas. Aproveitem e convidem suas famílias a fazer parte do Festival Missionário, que terá inicio na tarde de domingo, pois será uma grande oportunidade de testemunho da nossa fé Cristã a todas as pessoas que estarão presentes.
E desta forma despedimo-nos desejando a todos as mais ricas benções de Deus, e com alegria esperamos pela vossa presença.
A entrada para o Show de Carlos Magrão é franca, e estão todos convidados também para a programação da manhã, quem quiser realizar inscrição e almoçar conosco é R$15,00.
             

Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé. (Gálatas 6.10)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Mensagem - Eu sou aquele que vive

Jesus diz: - Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. Eu sou aquele que vive; estive morto, mas agora vivo para sempre. Tenho autoridade sobre a morte e sobre o mundo dos mortos.
Apocalipse 1.17-18

Sempre me perturbou o fato de que a Igreja Cristã, em geral, pouco destaque dá ao dia da Ascensão de Nosso Senhor. Festeja-se muito o Natal e a Páscoa - aliás festeja-se, provavelmente, mais o Natal do que a Páscoa, quando deveria ser o contrário - mas o dia da Ascensão muitas vezes não é sequer comentado nas instituições e escolas cristãs, por exemplo.

Será que temos plena consciência do que significa Jesus estar vivo? Ser o Primeiro e o Último? Nossa razão não consegue compreender este mistério, mas nossa fé, sim. Por isto não temos medo. Pelo contrário. Quando caminhamos com o coração apertado por algum problema, ou por nossa pequena fé, e não notamos mais as pegadas de Jesus ao nosso lado, é porque Ele nos carrega no colo, junto ao seu coração.

Ao sentirmos sua mão direita sobre nós, temos a plena certeza de que o Deus-homem, nosso Salvador, jamais nos desamparará, até o dia derradeiro.

Para que nossa fé e esperança não sejam coisas sem sentido, foi que ele ressuscitou e subiu aos céus. Com sua morte Ele levou nosso pecado; com sua ressurreição e ascensão nos garante a vida eterna ao lado do Pai.

Oração:
Querido Deus, pelo sofrimento e morte de teu Filho, e por sua ressurreição e ascensão, temos a certeza da vida eterna ao teu lado. Concede-nos sempre confiar nesta esperança e mantem-nos firmes na fé até que nos encontremos nos céus. Amém!

Sílvia R.K. Jeck in Castelo Forte 1997 (Comissão Interluterana de Literatura, Porto Alegre/São Leopoldo, 1996. Referente a 8 de maio)

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Mensagem - Cantai!

Leia em sua Bíblia: Salmo 98

Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas. (Salmo 98.1)

A Escritura Sagrada frequentemente fala do "Deus Vivo"; mas ela fala também muito do Deus que faz maravilhas. O Deus Vivo e o Deus que faz maravilhas são o mesmo Deus. Não existe outro. É precisamente o fato de que Ele faz maravilhas que prova que Deus está vivo. – Mas ainda hoje há maravilhas ou milagres? Muitos tentam provar que os milagres estão absolutamente ausentes do mundo. Tais pessoas não podem acreditar em Deus. Aquele que crê em Deus deve também ser capaz de crer que Ele pode fazer maravilhas. – Outros acreditam que os milagres foram condicionados ao tempo. Hoje não há mais milagres. – O fato é que com os milagres há uma divisão na humanidade sobre como cada um vê o mundo. Quem exclui o milagre de sua fé não tem mais a fé viva, porque não tem mais o Deus vivo. Milagres e fé andam juntos. Eles pertencem um ao outro, assim como Deus e milagres são indissociáveis. Só Deus pode fazer milagres. E milagres podem ser experimentados sempre de novo somente pela fé.

Bem-aventurado o homem a quem Deus concedeu um olhar para reconhecer milagres em sua vida e no mundo! Não é um milagre que até hoje ainda tenhamos acordado todas as manhãs? Não é um milagre que Deus ainda não tenha permitido que a humanidade e o mundo perecessem? Cada folha na natureza não é um milagre? E o magnífico céu estrelado não é o milagre dos milagres?

Mas a fé leva a ver ainda mais fundo: o maior dos milagres, que, no entanto, só pode ser visto pela fé, de fato é esse: que o Deus vivo, que faz maravilhas, ao mesmo tempo é o Deus misericordioso; que o Deus que por sua santidade e justiça deveria condenar o pecado e o pecador, contudo assim amou os pecadores, que deu seu próprio Filho à morte. Milagre, inconcebível para as mentes mais perspicazes e, não obstante, real é o de que esse Deus de fato declara como sendo justos os que são ímpios. Milagre, negado por muitos, mas, não obstante verdadeiro, é o de que Aquele, que a morte e o diabo acreditavam estar permanentemente preso em uma sepultura, é o mesmo que venceu a sepultura e a morte. Milagre, ansiosamente desejado e que está a nos esperar, é o de que, através da morte do Filho de Deus, a  nossa morte é dormir e a nossa sepultura é a porta para a vida eterna.

E porque isto é assim, porque cremos nisto, é que podemos dizer com o Salmista: Cantai! Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque Ele tem feito maravilhas! Já não se pode deixar de: Quando Deus, o Senhor, faz maravilhas, o homem pegar a sua harpa e cantar, cantar a Deus, que está vivo. É por isso que uma grande quantidade de canções perpassa a Bíblia. Desde a canção que Moisés cantou ao seu Deus (Ex 15.1-19), passando pela canção que Paulo e Silas cantavam naquela noite na cadeia (At 16.25), até a estrondosa canção dos redimidos diante do trono do Cordeiro (Ap 5.8-14).

Além disso, não devemos permanecer em silêncio. Por isso, o Salmo 98 nos motiva: Cantai! Todos os confins da terra, com milhares de vozes, unam-se a centenas de trombetas, para cantar uma canção ao Deus vivo, precisamente porque ele faz maravilhas. Por que não deveríamos nós também cantar?

Cantai! Isto nos convida a uma vez esquecer toda a escuridão e a urgência, toda a tristeza e o pecado, toda a miséria e a morte, e olhar para o Senhor – pois Ele faz maravilhas. – Oh, toma, Senhor, da terra este pobre louvor; desejo aqui cantar teu grande e divinal amor. Nos céus, porém, Senhor, quando estiver com os teus anjos, melhor espero te louvar, com milhares de Aleluias! Amém.

Hans Rottmann in Weggeleit zur Ewigkeit (Casa Publicadora Concórdia, Porto Alegre, 1957. Pag. 194-5)
Trad. e Adapt.: Charles S. V. Ledebuhr

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Mensagem - O Espírito de Deus nos revela Jesus Cristo

Leia em sua Bíblia: 1 João 4.1-6

O Espírito de Deus nos revela Jesus Cristo, verdadeiro Deus, verdadeiro Homem, nosso Salvador! Ainda bem que ele revela, porque senão o mundo não iria conhecê-lo.

Certa vez, uma amiga me perguntou no que acreditavam os espíritas. Comentei rapidamente algumas características que eu conhecia e indaguei o motivo daquela pergunta. “É que eu tenho uma amiga na escola que é espírita”, ela respondeu “e ela me disse que eles também acreditam no mesmo que nós acreditamos, que também acreditam em Jesus Cristo”.

De fato, muitas são as religiões que falam de Jesus, portanto todas são cristãs, certo? Errado! No versículo 2, o apóstolo João nos diz que “todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus”. Essa amiga espírita decerto não teria problemas em aceitar que Jesus veio em carne, mas ela aceitaria que ele é o Cristo no sentido em que a Escritura entende o ser Cristo? Os judeus, que não aceitaram Jesus como Cristo, sabiam muito bem o que significava ser o Cristo. Em Mt 26.63, quando Jesus, preso, está diante do Sumo Sacerdote, este lhe pergunta: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus?”. Ser o Cristo, significa ser o Filho de Deus, ser Deus. E isso um espírita não vai aceitar. E não são só os espíritas. No mundo de hoje, encontrar alguém que creia que Jesus Cristo é Deus está cada vez mais difícil.

            Curiosamente, o problema que o apóstolo João enfrentava quando escreveu essa carta era justamente o contrário. As pessoas não tinham problema nenhum de aceitar que Jesus era Deus, o que alguns negavam é que ele também fosse um ser humano, isso por causa de uma crença, muito comum nessa época, de que o espírito é bom e a matéria é má. Deus sendo bom não poderia ser matéria. Jesus sendo Deus não poderia ser de carne.

Nenhuma dessas duas posições pode ser considerada cristã, pois não confessa o Cristo que veio em carne e, portanto, como diz o apóstolo no versículo 3, “não procede de Deus”. Pois se ele não for tanto o Cristo, o Filho de Deus, como Homem, vindo em carne, ele não pode ser o nosso Salvador. Para ser o nosso Salvador ele não poderia ser somente homem, pois, depois da queda, nenhum homem é capaz de cumprir toda a exigência da Lei de Deus a menos que seja Deus. E ele não poderia ser somente Deus, pois assim ele não poderia ser o nosso substituto. Ele precisava ser um ser humano para cumprir a Lei no lugar de todos os seres humanos e também receber o castigo de Deus em lugar de todos os seres humanos pelo seu não cumprimento da Lei.

Mas não nos deve impressionar o fato de que o mundo não entenda nem acredite que Jesus é tanto Deus quanto Homem. O próprio apóstolo João diz no versículo 5: “Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve”. O ser humano, do jeito que ele naturalmente é, só consegue entender as coisas do mundo, que lhe são racionais. O que é Deus é Deus e o que é homem é homem. O que é espírito é espírito e o que é carne é carne. Não pode ser ambas as coisas ao mesmo tempo. Ou é uma coisa ou é a outra. É o que o ser humano consegue racionalmente compreender, é a única conclusão a que ele pode naturalmente chegar. A menos que o próprio Espírito de Deus intervenha e o convença, como o apóstolo ressalta no versículo 4: “Vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas”, ou seja, aqueles que não criam nesse Jesus Cristo Deus e Homem e ensinavam um Jesus diferente, “porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”.


O fato é que Jesus Cristo é Deus e Homem e mesmo num mundo que por si só é incapaz de conceber a ideia desse Jesus, o Espírito de Deus age em nós criando e mantendo a fé salvadora no Jesus Cristo Deus que se tornou homem para cumprir a Lei e ser condenado em nosso lugar e ser assim o nosso Salvador. Graças a Deus!

Charles Samuel Voigt Ledebuhr
Teologando da ULBRA e do Seminário Concórdia

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mensagem - O amor gracioso de Deus

No centro da mensagem bíblica estão as boas novas de que Deus é um Deus de amor gracioso. Os deuses da filosofia são seres supremos que ficam revestidos em impressionante sigilo. Alguma verdade a respeito deles pode ser descoberta apenas por alguns poucos grandes pensadores que penetram nos segredos dos céus, mas para o resto da humanidade eles são entidades desconhecidas. O Deus bíblico não é um Deus que espera que os seres humanos o descubram. Pelo contrário, Ele toma a iniciativa e busca seu povo. Ele escolhe o povo de Israel para que através dele Ele pudesse se aproximar de todos os povos. Antes mesmo de nós pensarmos em buscar a Deus, Ele estava nos buscando. Jesus disse a seus discípulos: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi...” (João 15.16). Essas palavras podem ser usadas para resumir o relacionamento entre Deus e seu povo ao longo de toda a Bíblia.

O amor gracioso de Deus significa que Deus nos busca, mas isso também significa que Deus recebe e perdoa seres humanos pecadores. A visão popular de religião constantemente retrata Deus como o grande juiz no céu. Seu computador celestial mantém um registro diário de todas as ações boas e más. Quando o momento do julgamento vier, aqueles cuja contagem de ações boas superar sua contagem de ações más será aceito e recompensado por Deus. Mas aqueles cujas ações más superarem as boas serão lançados na punição. O Deus bíblico, no entanto, quebra radicalmente essa imagem popular. Ele não aceita somente pessoas boas, mas Ele busca os pecadores e os excluídos. Ele é o Deus que deseja antes salvar do que destruir ou punir.

O amor gracioso de Deus surge claramente nos textos indicados como referência para esta mensagem. Jacó está fugindo da justificável ira de seu irmão (Gn 28.10-17). Neste ponto de sua vida, Jacó já provou ser um vergonhoso trapaceiro que enganou seu pai idoso e roubou os direitos de filho mais velho e a bênção de seu irmão. Com o passar do tempo ele acrescentava práticas ainda mais contundentes ao seu histórico. Parece improvável que Deus escolhesse um personagem tão desagradável como Jacó para Seus propósitos. Mas o ponto desta passagem é que Deus vem até o renegado Jacó e renova com ele a aliança feita com Abraão, seu avô. A Jacó é prometido que ele é para ser aquele por meio de quem a aliança será transmitida para as gerações futuras. “Eu não o abandonarei até que cumpra tudo o que lhe prometi” (v.15). Jacó não provou ser particularmente digno de confiança, mas Deus prometeu a Jacó a sua fidedignidade.

A passagem de Romanos 5.1-11 é uma bela versão do mesmo tema. Assim como Deus veio com a promessa para o trapaceiro Jacó, do mesmo modo Paulo nos fala que Jesus veio para morrer pela humanidade pecadora. “Mas Deus nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado” (v.8). Esta é uma notícia surpreendente! Como diz Paulo, a maioria de nós não estaríamos dispostos a dar a vida por uma pessoa justa. Como nós podemos compreender alguém que tão voluntariamente deu sua vida por todos os injustos? Mas essa é a natureza do amor de Deus. Ele não nos amou na medida em que nós agimos para merecê-lo. Pelo contrário, ele nos amou em nosso pecado e nos buscou para nos livrar do nosso estado pecaminoso. E assim, como Jacó recebeu a promessa e as bênçãos de Deus apesar de seu estado pecaminoso, Paulo nos garante que em Cristo nós somos abençoados. Nós fomos reconciliados com Deus, para que possamos aceitar a paz de Deus, participar na glória de Deus e conhecer alegria. 

Extraído de: The Second Sunday in Lent in Proclamation: Aids for Interpreting the Lessons of the Church Year - Lent, William Hordern e John Otwell (adapt.).
Trad. e adapt.: Charles S. V. Ledebuhr